Há anos atrás, quando Jean Willys, famoso a partir de uma das piores criações da televisão mundial – o Big Brother – foi eleito Deputado Federal, achei que seria mais uma (sub)celebridade marionete da alcateia. Porém, depois que comecei a ler seus textos no site da Carta Capital (http://www.cartacapital.com.br), passei a gostar de suas discussões e deixei de lado meu preconceito sobre a origem de sua fama. Ontem, de forma corajosa e fundamentada, o deputado protocolou o Projeto de Lei 882/2015, o qual “Constitui objeto da presente Lei garantir os direitos fundamentais no âmbito da saúde sexual e dos direitos reprodutivos, regular as condições da interrupção voluntária da gravidez e estabelecer as correspondentes obrigações dos poderes públicos”. Recomendo o acesso ao projeto em sua versão integral (link emhttp://www.sul21.com.br/jornal/deputado-jean-wyllys-apresenta-projeto-para-legalizar-aborto/). A premissa do PL, segundo suas palavras na mesma matéria de Sul 21, é: “Educação sexual para decidir, anticoncepcionais para não abortar e aborto legal, seguro e gratuito para não morrer”.
Com relação ao aborto, que não é a única pauta do PL, impor a cultura e as crenças de uns sobre a vida dos outros, conforme discutiremos mais tarde na UPP de Humanidades com a Profª Tatiana, vai contra o respeito à cultura das pessoas. Para mim, faz muito sentido a justificativa do deputado no PL, afinal, estima-se que mais de 2 milhões de brasileiras se submetam todos os anos aos procedimentos existentes, o que é considerado um crime. Quando não há regulamentação, não se discute, aborta-se na clandestinidade, o sofrimento é da mulher que é passiva ao que está disponível, não há regras sanitárias, nem protocolos para procedimentos, entre outros problemas. A interrupção gestacional é apenas um dos temas do projeto, mas como certeza será o mais polêmico. A justificativa pela proibição e criminalização, como bem destaca Willys, é baseada em religiosidade, moralismos e hipocrisia. Provavelmente, o PL será rejeitado (ou engavetado), e Willys apedrejado, mas o tema volta à agenda, e quem sabe alguns baixem guarda em seu etnocentrismo.
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