O link para acessar o paper na íntegra é:
http://www.thelancet.com/pdfs/journals/langlo/PIIS2214-109X%2815%2970002-1.pdf
Melhor ainda, nosso colega Vanderlei, que disparou a discussão, informou que uma matéria sobre o estudo está no site do Ministério da Saúde, um dos financiadores da pesquisa, onde é também é possível acessar o artigo:
http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/cidadao/principal/agencia-saude/17110-pesquisa-inedita-revela-que-amamentacao-pode-aumentar-inteligencia
Fiquei motivada a ler reportagens sobre o artigo e o artigo em si, e então escrever este post. Minha principal inquietação (na aula de hoje discutimos sobre produção de conhecimento e senso comum, entre outros) foi: poderia traçar um percurso entre os achados da pesquisa, a produção do artigo, a divulgação no periódico científico, a divulgação deste pela mídia, divulgação governamental e compreensão das pessoas em geral? Como são os recortes e interpretações de cada um? Qual é a chamada para o leitor se interessar pela matéria? Da academia ao senso comum... (Escrevi esta frase antes de ler as reportagens, claramente com preconceitos. Ao final do post, retomarei esta sentença).
Sites de notícias do RS
Correio do Povo
http://www.correiodopovo.com.br/Noticias/551697/Estudo-realizado-em-Pelotas-mostra-relacao-entre-amamentacao-prolongada-e-inteligencia
"Benefício é maior para as crianças que tiveram um período mais longo de amamentação"
O jornal informa dados corretos, provavelmente lidos da análise do artigo por outro pesquisador, também publicada na Lancet. Ao final da reportagem, contudo, esquece uma palavra na frase, a qual distorce a recomendação da OMS:
"A OMS recomenda a amamentação para crianças até os seis meses. A organização reconhece que menos de 40% dos bebês, em todo o mundo, passam por esse período de aleitamento materno".Não é isso. A OMS recomenda a amamentação EXCLUSIVA para crianças até os seis meses e não exclusiva até os dois anos ou mais. Alguém mais atento, ao ler a reportagem, poderia se confundir, até pensar que o estudo vai contra a recomendação do órgão (benefício é maior para crianças que tiveram um período mais longo).
Zero Hora
http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticia/2015/03/criancas-que-mamam-por-mais-tempo-tem-renda-maior-e-sao-mais-inteligentes-4721022.html
É o jornal que tenho mais contato ao longo da vida (eu sobrevivi!), então não é surpresa a frase de destaque:
"O leite materno pode ser benéfico também para a vida financeira do filho".Com relação à forma como são feitos os recortes, chama a atenção que este meio optou por buscar as informações em outro jornal (Folha de SP) e ainda comentou que os "os resultados deveriam servir como base para o Governo Federal: - Investir na amamentação é investir no capital humano da próxima geração" - opa! #ficaadica da ZH para o governo federal!! (vou reproduzir aqui o que sempre ouvi na UFRGS: LEIA O ORIGINAL!!).
Outros sites de notícias:
BBC Brasil
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2015/03/150318_amamentacao_lk
O site faz um apanhado mais amplo sobre os benefícios da amamentação. Resume com as principais informações e limitações o estudo, além de enfatizar a importância da amamentação exclusiva e até as alternativas quando a mesma não é possível.
Folha de São Paulo
http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2015/03/1604352-criancas-que-mamam-por-mais-tempo-tem-renda-maior-quando-adultos.shtml
Embora o destaque seja para os benefícios financeiros, a Folha faz uma descrição precisa da pesquisa e dos benefícios da amamentação, contudo, também recomenda que o governo use resultados do estudo em suas políticas, sem mencionar que o mesmo participou de seu financiamento.
Estadão
http://saude.estadao.com.br/noticias/geral,tempo-de-amamentacao-afeta-renda-e-escolaridade,1652880
Descreve a pesquisa, aponta os benefícios da amamentação. Junto com o site da BBC, pareceu-me a melhor fonte de informação sobre o artigo.
Como eu resumiria o estudo?
Em 1982, os pais dos
neonatos nascidos na cidade de Pelotas foram convidados a participarem de um
estudo longitudinal, sendo os bebês os sujeitos da pesquisa. De tempos em
tempos, eram verificadas variáveis sócio-demográficas e outros fatores, como
desempenho escolar, hábitos alimentares, indicadores de saúde, entre outros. Quando
estavam com 30 anos, aproximadamente, foram contatadas mais uma vez e avaliadas
para diversos fatores, tais como escolaridade, inteligência e renda própria. Os
autores concluiram que, independentemente de fatores que as caracterizavam ao
nascimento (ex. tipo de parto, renda familiar, tabagismo e escolaridade
maternos, entre outros), aqueles que foram amamentados no peito – de forma
exclusiva ou não – por mais que um mês tiveram melhores escores em teste de
avaliação de inteligência, anos de estudo e renda aos 30 anos de idade. Um dos
destaques deste estudo foi ter estabelecido benefícios a longo prazo na prática
da amamentação. Entre as explicações para os benefícios do leite materno, os
autores indicam sua constituição bioquímica e a importância da interaçao
envolvida no ato de amamentar para o desenvolvimento global do indivíduo.
Então?







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