sábado, 28 de março de 2015
quarta-feira, 25 de março de 2015
Inesperado mandato
Há anos atrás, quando Jean Willys, famoso a partir de uma das piores criações da televisão mundial – o Big Brother – foi eleito Deputado Federal, achei que seria mais uma (sub)celebridade marionete da alcateia. Porém, depois que comecei a ler seus textos no site da Carta Capital (http://www.cartacapital.com.br), passei a gostar de suas discussões e deixei de lado meu preconceito sobre a origem de sua fama. Ontem, de forma corajosa e fundamentada, o deputado protocolou o Projeto de Lei 882/2015, o qual “Constitui objeto da presente Lei garantir os direitos fundamentais no âmbito da saúde sexual e dos direitos reprodutivos, regular as condições da interrupção voluntária da gravidez e estabelecer as correspondentes obrigações dos poderes públicos”. Recomendo o acesso ao projeto em sua versão integral (link emhttp://www.sul21.com.br/jornal/deputado-jean-wyllys-apresenta-projeto-para-legalizar-aborto/). A premissa do PL, segundo suas palavras na mesma matéria de Sul 21, é: “Educação sexual para decidir, anticoncepcionais para não abortar e aborto legal, seguro e gratuito para não morrer”.
Com relação ao aborto, que não é a única pauta do PL, impor a cultura e as crenças de uns sobre a vida dos outros, conforme discutiremos mais tarde na UPP de Humanidades com a Profª Tatiana, vai contra o respeito à cultura das pessoas. Para mim, faz muito sentido a justificativa do deputado no PL, afinal, estima-se que mais de 2 milhões de brasileiras se submetam todos os anos aos procedimentos existentes, o que é considerado um crime. Quando não há regulamentação, não se discute, aborta-se na clandestinidade, o sofrimento é da mulher que é passiva ao que está disponível, não há regras sanitárias, nem protocolos para procedimentos, entre outros problemas. A interrupção gestacional é apenas um dos temas do projeto, mas como certeza será o mais polêmico. A justificativa pela proibição e criminalização, como bem destaca Willys, é baseada em religiosidade, moralismos e hipocrisia. Provavelmente, o PL será rejeitado (ou engavetado), e Willys apedrejado, mas o tema volta à agenda, e quem sabe alguns baixem guarda em seu etnocentrismo.
domingo, 22 de março de 2015
Uns canadenses
* Em primeiro contato, percebo que os fundamentos do Canada Health Act e do SUS possuem várias convergências. Contudo, embora aquele sistema tenha a configuração somente há 6 anos a mais que o nosso, seus primórdios remontam ao século XIX. Se é verdade que os valores de solidariedade e lealdade dos canadenses são nítidos em sua população, o que não se repete por aqui, talvez esteja aí um dos pilares fortes de seu desempenho tido como satisfatório. Um grande ponto de divergência é a existência de possibilidades diferentes de assistência no Brasil, pois aqui é possível acessar grande parte dos serviços públicos de saúde em locais de cobertura de plano de saúde ou pagamento individual. Até mesmo vacinas, em sua maioria, podem ser obtidas na rede particular. Uma das exceções são os transplantes de órgãos. Encerro por aqui, não comparando valorativamente os dois sistemas, visto que nossas realidades sócio-econômicas são tão distintas.
sábado, 21 de março de 2015
Alimento para o senso comum? Da academia à mídia
O link para acessar o paper na íntegra é:
http://www.thelancet.com/pdfs/journals/langlo/PIIS2214-109X%2815%2970002-1.pdf
Melhor ainda, nosso colega Vanderlei, que disparou a discussão, informou que uma matéria sobre o estudo está no site do Ministério da Saúde, um dos financiadores da pesquisa, onde é também é possível acessar o artigo:
http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/cidadao/principal/agencia-saude/17110-pesquisa-inedita-revela-que-amamentacao-pode-aumentar-inteligencia
Fiquei motivada a ler reportagens sobre o artigo e o artigo em si, e então escrever este post. Minha principal inquietação (na aula de hoje discutimos sobre produção de conhecimento e senso comum, entre outros) foi: poderia traçar um percurso entre os achados da pesquisa, a produção do artigo, a divulgação no periódico científico, a divulgação deste pela mídia, divulgação governamental e compreensão das pessoas em geral? Como são os recortes e interpretações de cada um? Qual é a chamada para o leitor se interessar pela matéria? Da academia ao senso comum... (Escrevi esta frase antes de ler as reportagens, claramente com preconceitos. Ao final do post, retomarei esta sentença).
Sites de notícias do RS
Correio do Povo
http://www.correiodopovo.com.br/Noticias/551697/Estudo-realizado-em-Pelotas-mostra-relacao-entre-amamentacao-prolongada-e-inteligencia
"Benefício é maior para as crianças que tiveram um período mais longo de amamentação"
O jornal informa dados corretos, provavelmente lidos da análise do artigo por outro pesquisador, também publicada na Lancet. Ao final da reportagem, contudo, esquece uma palavra na frase, a qual distorce a recomendação da OMS:
"A OMS recomenda a amamentação para crianças até os seis meses. A organização reconhece que menos de 40% dos bebês, em todo o mundo, passam por esse período de aleitamento materno".Não é isso. A OMS recomenda a amamentação EXCLUSIVA para crianças até os seis meses e não exclusiva até os dois anos ou mais. Alguém mais atento, ao ler a reportagem, poderia se confundir, até pensar que o estudo vai contra a recomendação do órgão (benefício é maior para crianças que tiveram um período mais longo).
Zero Hora
http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticia/2015/03/criancas-que-mamam-por-mais-tempo-tem-renda-maior-e-sao-mais-inteligentes-4721022.html
É o jornal que tenho mais contato ao longo da vida (eu sobrevivi!), então não é surpresa a frase de destaque:
"O leite materno pode ser benéfico também para a vida financeira do filho".Com relação à forma como são feitos os recortes, chama a atenção que este meio optou por buscar as informações em outro jornal (Folha de SP) e ainda comentou que os "os resultados deveriam servir como base para o Governo Federal: - Investir na amamentação é investir no capital humano da próxima geração" - opa! #ficaadica da ZH para o governo federal!! (vou reproduzir aqui o que sempre ouvi na UFRGS: LEIA O ORIGINAL!!).
Outros sites de notícias:
BBC Brasil
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2015/03/150318_amamentacao_lk
O site faz um apanhado mais amplo sobre os benefícios da amamentação. Resume com as principais informações e limitações o estudo, além de enfatizar a importância da amamentação exclusiva e até as alternativas quando a mesma não é possível.
Folha de São Paulo
http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2015/03/1604352-criancas-que-mamam-por-mais-tempo-tem-renda-maior-quando-adultos.shtml
Embora o destaque seja para os benefícios financeiros, a Folha faz uma descrição precisa da pesquisa e dos benefícios da amamentação, contudo, também recomenda que o governo use resultados do estudo em suas políticas, sem mencionar que o mesmo participou de seu financiamento.
Estadão
http://saude.estadao.com.br/noticias/geral,tempo-de-amamentacao-afeta-renda-e-escolaridade,1652880
Descreve a pesquisa, aponta os benefícios da amamentação. Junto com o site da BBC, pareceu-me a melhor fonte de informação sobre o artigo.
Como eu resumiria o estudo?
Então?












