Entre as atividades propostas na UPP de Humanidades, teremos experiências em alguns cenários de prática - diversidades humanas e as práticas terapêuticas no território. A primeira oportunidade ocorreu no dia 01/04, quando pudemos conhecer um pouco sobre O Espaço da Alma, realizado no Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Quatro mulheres engajadas no projeto - três enfermeiras e uma técnica em enfermagem - nos contaram suas práticas com colegas de trabalho, nas quais usam técnicas como Acupuntura, Reike, Biodança, Quick Massagem. Elas contaram que sentiam a necessidade de criar espaços para que os colegas, que vivem situações intensas no dia-a-dia, pudessem trabalhar seus corpos e seus sentimentos, o quê não costumam realizar com frequência. Seriam terapias complementares, que ajudariam as pessoas a verem e a compreenderem a si mesmas. Consideram que a sensação de bem-estar gerada a partir do emprego destas técnicas poderia, em algumas situações, substituir o uso de psicofármacos. Segundo uma das enfermeiras, mesmo que ela saiba que a ciências precise provar os resultados destas intervenções, para ela a comprovação empírica se dá na satisfação dos envolvidos. Elas propõem estas práticas como uma forma de se abrir para novos modos de pensar.
Quick massage ou massagem rápida - uso de manobras adaptadas de técnicas como Anmá e Shiatsu. O objetivo é promover o relaxamento muscular em poucos minutos. Entre os resultados imediatos esperados estão aliviar tensões, relaxar musculatura, combater stress.
Reiki - técnica japonesa para reduzir stress e promover relaxamento, e assim buscar a cura. É empregada a "imposição de mãos", tem como premissa a ideia de que uma "energia vital" não visível circula em nós e nos mantém vivos. Busca-se o equilíbrio energético. Esta técnica ajudaria tal energia vital ser guiada.
Biodança - visa induzir vivências integradoras com uso de músicas, canto, movimentos e situações grupais. Visa integração, renovação, reeducação de afetos e reaprendizagem de instintos. A prática divide-se em cinco linhas: vitalidade, sexualidade, criatividade, afetividade, transcendência.
Acupuntura - empregada para casos de dor, especialmente músculo-esqueléticas, e doenças funcionais (ex. gastrite, asma, incontinência urinária, sinusite, etc). Na concepção chinesa, a doença seria a manifestação de desequilíbrio interno e a acupuntura ajudaria a buscar a harmonia perdida. O foco são os pontos do corpo relacionados com os alvos. O mais comum é a aplicação de agulhas nestes locais, mas também podem ser utilizados estímulos sonoros, imãs, sementes, entre outros.


Tem duas coisas sobre mim que impõem muita dificuldade em aceitar estas técnicas, em especial as três primeiras que defini acima. A primeira é que sou uma pessoa muito cética. A segunda, é que sou formada em psicologia e, ainda por cima, fiz estágio curricular no HCPA. Ao ver o emprego destas técnicas, é inevitável pensar nos experimentos de psicologia do fim do século XIX e início do século XX, quando se testavam vários recursos (ex: hipnose) como formas de acessar o inconsciente, que hoje existem técnicas consolidadas para acessar traumas, por exemplo, e posterior abordagem dos mesmos, que existe um serviço de psicologia no HCPA ligado ao Serviço de Medicina do Trabalho que se ocupa do adoecimento no trabalho, com abordagens em grupo e individuais. Fora isso, embora eu aceite que as pessoas possam se sentir bem com estas técnicas - quem não se sente relaxado após uma massagem? - a origem do problema, a causa da dor, a subjetivação do mesmo segue igual. Eu pessoalmente entendo que, quando precisamos enfrentar uma questão emocional importante, é preciso ir a fundo, e para isso eu penso que os profissionais psi estejam mais aptos a fazerem isso. Pensei no espaço que a psicologia não legitima que é ocupada por outras técnicas, não totalmente oficiais. Respeito as iniciativas e imagino que isso é feito pelo bem, contudo, penso que são soluções pontuais e paliativas. Hoje, as técnicas integradoras estão previstas no SUS, sistema que quero me aprofundar, conhecer, ajudar a fortalecer. Muitos se beneficiam com as mesmas. Assim, entendo como um grande desafio pessoal me abrir para isto, aceitar, compreender. Concordo totalmente que as pessoas precisam de espaços para si próprias, para seus corpos, sentimentos, contudo, não sei o quanto pedalar, correr, ter um hobbie não teria um efeito parecido com estas técnicas alternativas ao convencional. Estou sendo dura e crítica, como me descrevi na apresentação do blog. Como disse, aceito e preciso sugestões, críticas, ajuda para ter maior empatia com estas crenças.








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